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quarta-feira, 27 de abril de 2011

A EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO PEDAGÓGICO

A EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO PEDAGÓGICO.




PAIDÉIA: criação de meninos.o que é melhor ensinar? como ensinar? e para que ensinar?



SÉCULO VI a.C- Tradição Mítica. Grécia: as ações humanas são influenciadas pelo sobre natural(divina), através de poemas decorados e recitados em praça publica.


Nasce a filosofia: com o surgimento da escrita, moeda, lei, a pólis (novo cidadão, antes a virtude era ética, aristrocrática agora é política, igual repartição de poder) e também o aparecimento dos filosófos. A passagem do pensamento mítico para o racional e o filosófico.

PERÍODOS DA FILOSOFIA GREGA:

* Pré Socráticos: (VII e VI a.C), processo de separação entre a filosofia e o pensamento mítico- ocupam-se com questões cosmológicas.
* Socráticos: ( V e IV a.C), Socrátes e seus discipulos- Platão e Aristóteles e ainda os Sofistas.
* Pós Socráticos: ( III e II a. C), início do helenismo-surgem correntes filosoficas de estoicismo e do epicurismo.

A diferença dos Sofistas com Sócrates.


Foram os sofistas que sistematizaram e divulgaram os novos conhecimentos. Não ensinavam num local determinado, pois os sofistas como primeiros professores do ensino superior eram conferencistas itinerantes, em constantes viagens. As exibições que faziam do seu saber e do seu talento da palavra atraíam alunos, que se lhes agregavam e os seguiam de cidade em cidade, porque eles eram, acima de tudo, educadores. Ensinava sob a designação geral de «filosofia» tudo o que então se podia saber e que se não podia aprender na escola elementar: a geometria, a física, a astronomia, a medicina, as artes e técnicas e, sobretudo a retórica e a filosofia propriamente dita.
Uma das maiores diferença entre os Sofistas e Sócrates, residia no facto dos sofistas fazerem-se pagar das suas lições a preços elevados. Realmente, eram no seu tempo, os únicos mestres que podiam dispensar uma verdadeira cultura geral e formar oradores. É claro que a multidão não hesitava em troçar desses intelectuais suntuosamente vestidos, pretensiosos e pedantes, que forneciam um alvo de categoria à crítica irônica dos poetas cômicos. Sabemos que Sócrates, com o seu ideal moral e a sua exigência fundamental da verdade, se distinguia dos sofistas, que estavam mais preocupados com a eficácia prática do que com o rigor intelectual e moral.
 A filosofia dos sofistas, em virtude da situação na vida, adotou um ponto de vista egoísta-utilitário perante os problemas da atividade prática. Contra esta doutrina dos sofistas se levantou Sócrates. Para ele o homem era, como para os sofistas, a medida de todas as coisas; não, porém, o homem como indivíduo, mas o homem como espécie racional, que eleva o seu espírito à universalidade das normas morais.      
 Em salas particulares, na rua ou no ginásio, os sofistas reuniam o conjunto de estudantes, transmitiam o conhecimento e davam a preparação retórica desejada. Sócrates, no entanto, aplicava o seu método onde existissem pessoas que o quisessem ouvir e falar com ele. 



SÓCRATES (469-399 a.C.)



            Grego, nasceu em Atenas Capital da democracia e do saber. Nada deixou escrito pois tinha o método de educação o diálogo, pois achava importante o contato direto com os interlocutores. Com ele o ser humano voltou-se a si mesmo, sua preocupação em levar as pessoas por meio do auto conhecimento à sabedoria e a prática do bem. Ao eleger o diálogo como método de investigação, preocupava-se não só com a verdade, mas com o modo como chegar a ela. Quando você prepara suas aulas, costuma levar em conta a necessidade de ajudar seus alunos a desenvolver procedimentos para que possam pensar por si mesmo. Através de seus pensamentos surgiram 2 vertentes: idealismo e realismo.
A sabedoria começa pelo reconhecimento da própria ignorância.
*Ironia (perguntar, fingindo ignorar), processo negativo e destrutivo de descoberta da própria ignorância.Sócrates  demonstrava que não sabia, assim  teria que despertar e levar o interlocutor a expor suas opiniões
*É construtiva e consiste em dar à luz a novas ideias. Fazer perceber as próprias contradições levando rever conceitos e  reconstrução de seu pensamento.

IDEALISMO

            Tendência filosófica que reduz toda a existência ao pensamento. Quando concebe que o Sujeito tem um papel mais determinante que o Objeto no processo de conhecimento.unico objeto que o sujeito conhece está na mente. Tudo que o sujeito conhece são suas ideias, suas representações do mundo, sua consciência. Toma como ponto de partida para reflexão o sujeito. Onde tudo o que existe teve um sentido mental. As bases sobre as quais o idealismo é defendido são geralmente bases derivadas da teoria do conhecimento, ou seja, de uma discussão das condições que as coisas devem satisfazer a fim de que possamos ser capazes de conhecê-las. O conceito idealismo tem duas grandes acepções. Por um lado, trata-se da capacidade da inteligência para idealizar. Por outro lado, o idealismo é uma corrente filosófica que considera a ideia como sendo o princípio do ser e do conhecer.

PLATÃO (427-347 a.C)

            Previa um sistema de ensino que mobilizava toda a sociedade de ensino para formarem sábios e encontrar a virtude, era a formação do homem moral vivendo em um estado justo. Ele pensava numa educação de busca continuada da virtude, justiça e da verdade; onde a educação era responsabilidade estatal, mesma instrução para ambos os sexos e acesso universal do ensino. Não é possível ou desejável transmitir conhecimentos, mas procurar respostas, ao longo de debates de ideias.”Pense sobre o próprio pensar”. Procura explicar que o processo de conhecimento se desenvolve através da passagem do mundo das sombras e aparências (sentidos) para o mundo das ideias. O método é a dialética (contra posição de uma opinião com a crítica que podemos fazer).
*Mundo das Sombras: o homem comum dominado pelos sentidos, paixões e só alcança um conhecimento imperfeito da realidade “opinião”.
*Mundo das Ideias: quando a razão ultrapassa o mundo sensível. As ideias são mais reais que as próprias coisas.

NEOPLATONISMO

            Rejeitava o conceito do mal, acreditava-se apenas em graus de imperfeição, na carência da prática do bem. Contrariamente aos ensinamentos cristãos, não era necessário transpor as fronteiras da morte, caminhar para estágios de uma vida na espiritualidade, a fim de se conquistar uma alma perfeita e feliz. Estas virtudes podiam ser obtidas através do exercício constante da meditação filosófica. Filosofo: Plotino: as sombras nada mais eram que a carência de luz, a qual não conseguia atingi-las; mas não se podia dizer que elas tinham uma real existência.

SANTO AGOSTINHO (354-430)

O idealizador da revelação divina
Sábio cristão afirmava que o homem só tem acesso ao conhecimento quando iluminado por Deus. Embora tenha vivido nos últimos anos da Idade Antiga – que se encerrou com a queda do Império Romano, no ano de 476 –, Santo Agostinho foi o mais influente pensador ocidental dos primeiros séculos da Idade Média (476-1453). A ele se deveu a criação de uma filosofia que, pela primeira vez, deu suporte racional ao cristianismo. Com o pensamento de Santo Agostinho, a crença ganhou substância doutrinária para orientar a educação, já que a pensamento grego tinha caído em decadência. Defendia que educação e catequese se equivaliam, e estimulava obediência aos mestres o objetivo era treinar o controle das paixões para merecer a salvação. Recomenda que jovialidade, alegria, paz e brincadeiras são fundamentais. A ideia principal é que o professor mostra o caminho e o aluno adota, assim o saber brota.

REFORMA E CONTRA- REFORMA

Os jesuítas seguiram a mesma forma de pensar de Santo Agostinho colocando a igreja como a fonte de ensinamento, mas essa “escola”, que repassava os ensinamentos era para as pessoas da burguesia assim nem todos tinham acesso à educação. No contexto da contra reforma em que Lutero colocava suas ideias como reforma e diferente ao modelo aplicado por Santo Agostinho em que a igreja era o órgão maior e tinha plenos poderes para ensinar sem que fossem questionadas suas ideias, já Lutero assim tirando o poder da igreja sobre o método de educação e colocando que a educação e o saber tinham que ser acesso de todos. Abrindo essa ramificação das ideias colocando mais pensadores e filósofos a discutir o modelo de ensino. Temos neste contexto histórico da contra reforma Comênio que não aceitava o que os jesuítas estavam defendendo, pois defendia que: o ensino de tudo para todos.

JESUÍTAS

             Fundada por Inácio de  Loyolo-1491. Chegam no Brasil em 1549. Tinham um plano de estudo: Ratio Studiorium-30 conjunto de regras num manual que indicava: responsabilidade, desempenho, subordinação e todo o tipo de relacionamento dos membros da hierarquia. Conteúdo e metodologia a ser utilizada pelos professores. Os Jesuítas pregaram a obediência total à doutrina da Igreja Católica com o objetivo de catequisar.

MARTINHO LUTERO (1483-1546)

Autor do conceito de educação útil. Fundador do protestantismo e também um dos responsáveis de formular o sistema publico que serviu de modelo para a escola moderna no ocidente. Movido pela indignação e pela discordância com os costumes da igreja de seu tempo, foi responsável pela reforma protestante(cristianismo). A ideia da escola pública é para todos, organizava-se em três ciclos: fundamental, médio e superior.

DESCARTES (1596-1650)

            Discípulo dos Jesuítas, decepcionu-se com o ensinamento deles e decidiu buscar a ciência por conta própria, esforçando-se para decifrar ”o grande livro do mundo”. Sua missão era reunir todo o conhecimento humano em uma única ciência e universal. Cria um livro “Discurso do método”, para questionar o ensinamento dos jesuítas, tinha quatro regras básicas: verificar, evidenciar; analisar; sintetizar, enumerar. Defende que a dúvida é o primeiro passo para se chegar ao conhecimento, assim questionando a própria existência do próprio eu e de Deus. Tinha certeza “meus pensamentos existem”. Afirmação: Penso, logo existo, onde coloca que o pensamento é algo mais certo que a própria matéria-corporal. As filosofias posteriores assumem uma tendência idealista, onde valoriza a atividade pensante em relação ao objeto pensado.

COMÊNIO (1592-1670)

O pai da didática moderna. O filósofo tcheco combateu o sistema medieval, defendeu o ensino de "tudo para todos" e foi o primeiro teórico a respeitar a inteligência e os sentimentos da criança. A obra mais importante foi: Didática magna. “tinha que ser grande como o mundo e como estava sendo descoberto”. Mas suas idéias apresentadas e defendidas no séc. XVII consagrará no séc.XX. A prática escolar deveria imitar os processos da natureza. O professor deveria ser um profissional, não um missionário, e bem remunerado. Nas relações entre professor e aluno, seriam consideradas as possibilidades e os interesses do aluno. A organização do tempo e currículo levaria em conta os limites do corpo. Ele defendia essas ideias porque não concordava no modelo de ensino que era aplicado, não poderia ser colocada a força sem respeitar o interesse e o crescimento de cada indivíduo e sem haver os questionamentos necessários. A maior contribuição de Comênio para a educação nos dias de hoje é trazer a realidade social para a sala de aula, fazendo uso dos meios tecnológicos.

RUSSEL (1872-1970)

Foi um dos mais influentes matemáticos, filosófos que viveram no século XX. Político liberal, activista e um popularizador da filosofia. Inúmeras pessoas respeitaram Russell como uma espécie de profeta da vida racional e da criatividade. A sua postura em vários temas foi controversa. Recebeu o Nobel de Literatura de 1950, "em reconhecimento dos seus variados e significativos escritos, nos quais ele lutou por ideais humanitários e pela liberdade do pensamento".

EDUCAÇÃO PROGRESSIVA

A idéia básica de jonh Dewey sobre a educação está centrada no desenvolvimento da capacidade  de raciocínio e espírito crítico do aluno. Ela se prende em 3 noções fundamentais: progresso, educação e democracia. Para este autor, a experiência é o resultado da reflexão que o indivíduo realiza sobre a sua interação com os outros indivíduos e com o meio, reflexão esta cada vez mais ampliada à medida em que o indivíduo vive. Com isto, entende-se a “reconstrução da experiência” operada pela educação como sendo a forma a partir da qual a experiência individual seria conduzida de maneira a levá-lo a se integrar cada vez mais a seu meio social e a fazê-lo melhorar continuamente (progredir). Assim, a “Educação Progressiva” teria como principal função: “preparar o indivíduo para uma sociedade em processo constante de mudança e, simultaneamente, promover esta continua mudança social.

ESCOLA NOVA

No mundo se vivia um momento de crescimento industrial e de expansão urbana  e, nesse contexto, um grupo de intelectuais brasileiros sentiu necessidade de preparar o país para acompanhar esse desenvolvimento. Inspirados nas idéias político-filosóficas de igualdade entre os homens e do direito de todos à educação, esses intelectuais viam num sistema estatal de ensino público, livre e aberto, o único meio efetivo de combate às desigualdades sociais da nação. A Escola Nova foi um movimento de renovação do ensino na metade do séculoXX. Desenvolveu-se no Brasil sob importantes impactos de transformações econômicas, políticas e sociais. De acordo com alguns educadores, a educação deveria ser sustentada no indivíduo integrado à democracia. Para John Dewey a escola não pode ser uma preparação para a vida, mas sim, a própria vida. Assim, a educação tem como eixo norteador a vida-experiência e aprendizagem, fazendo com que a função da escola seja a de propiciar uma reconstrução permanente da experiência e da aprendizagem dentro de sua vida, uma função democratizadora de igualar as oportunidades.

DECROLY (1871-1932)

            Nasceu na Bélgica. Por essa época criou uma disciplina, a "pedotecnia", dirigida ao estudo das atividades pedagógicas coordenadas ao conhecimento da evolução física e mental das crianças.  dedicou-se apaixonadamente a experimentar uma escola centrada no aluno, e não no professor, e que preparasse as crianças para viver em sociedade, em vez de simplesmente fornecer a elas conhecimentos destinados a sua formação profissional. foi um dos precursores dos métodos ativos, fundamentados na possibilidade de o aluno conduzir o próprio aprendizado e, assim, aprender a aprender. Alguns de seus pensamentos estão bem vivos nas salas de aula e coincidem com propostas pedagógicas difundidas atualmente. É o caso da idéia de globalização de conhecimentos – que inclui o chamado método global de alfabetização – e dos centros de interesse. 

FREINET(1896-1966)

            Sul da França. Foi um critico da escola tradicional e das escolas novas. a educação deveria proporcionar ao aluno a realização de um trabalho real. Foi criador das escolas modernas. A aprendizagem através da experiência seria mais eficaz. a interação professor-aluno é essencial para a aprendizagem. Estar em contato com a realidade em que vive o aluno é fundamental. Desenvolveu atividades como: aula passeio, jornal da classe, cantinhos pedagógicos, troca de correspondências entre escolas, livro da vida.

NEILL(1883-1973)

Acreditava que a felicidade é fundamental para o desenvolvimento das crianças e esta tem origem num senso de liberdade das mesmas. Para ele, as escolas tradicionais privam de liberdade seus alunos e as consequências da infelicidade vivida pelas crianças reprimidas estão na origem da maioria dos problemas psicológicos da vida adulta. Sustentava que os jovens devem ser estimulados a aprender em um ambiente de liberdade e de responsabilidade. Ficou famoso por defender a liberdade das crianças na educação escolar. Fundador da escola Summerhill.

Ela propunha despertar a atividade infantil através do estímulo e promover a auto educação da criança colocando meios adequados de trabalho a sua disposição. Sustentava que só a criança é educadora de sua personalidade. Fundou a Casa dei Bambini (Casa das crianças), evidenciando a prevalência do aluno. Procura desenvolver o potencial criativo desde a primeira infância, associando-o à vontade de aprender – conceito que ela considerava inerente a todos os seres humanos. Sua prática se inspira na natureza o crescimento mental acompanha o crescimento biológico. Sendo que, para despertar o aprendizado, a criança deve ter acesso e estímulos a desvendar essas curiosidades, assim trabalhando com didáticas de ensino em que a criança pega , vê, toca e não tem um lugar certo para ficar ou sentar estimula o seu aprendizado. Deve haver a troca de informações. Saber o porquê das coisas.

REFERÊNCIAS.

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda Aranha. Filosofando. Introdução à Filosofia. 4ª. Ed. São Paulo: Moderna.2009. p. 149-165.

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda Aranha. História da Educação. 2ª. Ed. São Paulo: Moderna. 1996.

COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia: Histórias e grandes temas. 16ª.  Ed. São Paulo: Saraiva. 2006. 83-165.



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