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terça-feira, 10 de maio de 2011

A EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO PEDAGÓGICO - Parte II

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA FARROUPILHA
CAMPUS SANTA ROSA/RS

Curso: Licenciatura em Matemática
Disciplina: Fundamentos Históricos, Filosóficos e Sociais da Educação
Professor: Ms. Sidinei Cruz Sobrinho
Grupo 4:    Cristina Girotto
                 João Marcos Kaufmann
                 Leandro Boszko
                 Ricardo Perez Ribas
                 Vanessa Günzel

A EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO PEDAGÓGICO
Parte II

Santa Rosa, 10 de maio de 2011

O presente trabalho apresenta, em primeira parte, sínteses das correntes filosóficos, políticas, sociais e educacionais em ordem cronológica de expressão pública, mas que não são delimitadas (fechadas) em períodos de tempo; pois, ao longo dos séculos, houve surgimentos, sincretismos e reformulações de teorias. Diversos fatores condicionaram as inspirações dessas correntes: a valorização do cidadão/indivíduo/coletivo; a emergência do cristianismo, do mercantilismo, do capitalismo; o apogeu/declínio de Estados e modelos governamentais; a necessidade de rever conceitos como realidade, matéria, liberdade, trabalho, história, poder.
Na segunda parte, dispõe-se as sínteses dos pensadores envolvidos nas correntes citadas na primeira, ordenada da mesma maneira, com ênfase nas ideias relacionadas à educação e proposta pedagógica (quando há).
1ª parte – AS CORRENTES DE PENSAMENTO
IDEALISMO - A ideia (pensamento, consciência, representações do mundo, signos) como sendo o princípio do ser e do conhecer. A reflexão do sujeito e a capacidade de idealizar promovem uma discussão das condições que as coisas devem satisfazer ou existir a fim de que possamos ser capazes de percebê-las ou conhecê-las.
REALISMO - Existe um conjunto de dados, de coisas, de objetos, que podem explicar a priori e por si só como se adquire conhecimento. Primeiramente, se percebe a realidade externa e independente do objeto; posterior e decorrente deste conhecimento se forjam perguntas (metafísica) e se induz e deduz novas respostas, intrínseca e concomitante a novas manifestações reais do objeto.
NEOPLATONISMO - A real existência do ser através do exercício constante da meditação filosófica como forma de obtenção e aprimoramento de virtudes e consequente superação das imperfeições.
TOMISMO - Tomas de Aquino como precursor. Tentativa de conciliar Razão e Fé: o conhecimento parte dos sentidos, toda causa depende de outra, todos possuem um grau de perfeição – mas todos os movimentos existem por meio de Deus. A Inquisicao condena teses do Tomismo em 1277, entretanto este teve importância capital no combate ao Protestantismo quando ocorreu, no século XVI, a chamada Contra-Reforma Católica. O tomismo decai no auge do racionalismo e do empirismo com Descartes.
REFORMA - A retirada do poder da igreja sobre o método de educação. Todos tinham que ter acesso ao conhecimento. Com isso, abria-se a discussão do modelo de ensino para mais pensadores e filósofos.
CONTRA- REFORMA - Reação da igreja para manter-se como fonte de ensinamento, tendo plenos poderes para ensinar sem que fossem questionadas suas idéias.
HUMANISMO - O homem é o centro do mundo, digno e valoroso. Ser racional, livre, agente ético, político, técnico e artístico. Ninguém detém o monopólio da verdade. Teve um apogeu entre os séculos XIV e XVI em oposição ao teologismo na educação. Valorizava a infância e a juventude. A corrente mantém-se em pensadores racionalistas e empiristas e, mesmo com as mudanças políticas nos séculos seguintes, insere-se em quase todas as concepções pedagógicas do século XX.
EMPIRISMO - Somente as experiências são capazes de gerar idéias e conhecimentos. A geração de conhecimentos, bem como as teorias das ciências devem ser formuladas e explicadas a partir da observação do mundo e da prática de experiências científicas, e não através das formas não científicas (fé, intuição, lendas, senso comum).
IDEALISMO (2) - Retomada importante pelas obras de Kant. Afirma que a realidade da idéias é independente e superior ao mundo sensível. A realidade primeira, o pensamento e todas as coisas materiais são simples, produtos do ato de pensar, isto é, produtos exclusivos do pensamento humano. Supõe-se de que a única realidade plena e concreta é de natureza espiritual; a compreensão materialista é um estágio superável no desenvolvimento cognitivo da subjetividade humana.
NATURALISMO - A radicalização do realismo: observação fiel da realidade e da experiência, mostrando que o individuo é determinado pelo ambiente e pela hereditariedade. Corrente geradora do pensamento evolucionista de Charles Darwin e pedagógico de Froebel, além do desenvolvimento da tecnologia através da formulação de leis, da previsibilidade de fenômenos.
LIBERALISMO - Fundamentalmente racionalista, busca o conhecimento e a verdade através da razão individual. A história é feita, não pelas forças coletivas, mas pelos indivíduos. Opõe-se ao jugo da autoridade, pois a verdade deve surgir no confronto dos pontos de vista.
REALISMO (2) - Retomada de um tratamento objetivo da realidade do ser humano, em oposição ao subjetivismo idealista, mas com um forte caráter ideológico, marcado por uma linguagem política e de denúncia dos problemas sociais
MATERIALISMO - A realidade da matéria, do sujeito, como o elemento que determina o nosso pensamento, as nossas ideias e a nossa vida. As respostas para os fenômenos físicos e sociais estão contidas nesses mesmos fenômenos. As ideias e concepções estão determinadas pela existência material dos objetos a nossa volta, e estes incidem sobre nós quando nos relacionamos com eles. Através da abordagem dialética voltada ao estudo da vida social e da herança ideológica do passado, surge o Materialismo Histórico, corrente que tem como referência Karl Marx.
EVOLUCIONISMO - Referência em Charles Darwin. Explica o mecanismo que propiciou a variedade de seres vivos através do processo de seleção natural: as espécies tendem, lentamente, a ir sofrendo transformações, tornando-se cada vez mais adaptadas às mudanças impostas pelo meio.
MARXISMO - Consequência do pensamento de Marx e suas numerosas interpretações, esta corrente compreende ideias filosóficas, econômicas, políticas, sociais e educacionais sobre o homem como um ser social histórico e que possui a capacidade de trabalhar e desenvolver a produtividade do trabalho. Em suma, a classe operária deve se libertar, romper com a propriedade privada burguesa, socializando a base produtiva e produzindo de acordo com os interesses comuns.
EDUCAÇÃO PROGRESSIVA - A educação está centrada no desenvolvimento da capacidade  de raciocínio e espírito crítico do aluno. Ela se prende em 3 noções fundamentais: progresso, educação e democracia. A experiência é o resultado da reflexão que o indivíduo realiza sobre a sua interação com os outros indivíduos e com o meio, reflexão esta cada vez mais ampliada à medida em que o indivíduo vive. Com isto, entende-se a “reconstrução da experiência” operada pela educação como sendo a forma a partir da qual a experiência individual seria conduzida de maneira a levá-lo a se integrar cada vez mais a seu meio social e a fazê-lo melhorar continuamente (progredir). Assim, a educação seria preparar o indivíduo para uma sociedade em processo constante de mudança e, simultaneamente, promover esta continua mudança social.
ESCOLA NOVA - Num mundo em que se vivia um momento de crescimento industrial e de expansão urbana, surge uma corrente inspirada nas idéias político-filosóficas de igualdade entre os homens e do direito de todos à educação. Via-se num sistema estatal de ensino público, livre e aberto, o único meio efetivo de combate às desigualdades sociais da nação. A escola deve propiciar uma reconstrução permanente da experiência e da aprendizagem dentro da vida do indivíduo, tendo uma função democratizadora de igualar as oportunidades. Movimento que teve seu auge no Brasil com a publicação do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova em 1932.
PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO - Colaboram para o entendimento dos processos biológicos e culturais. O Professor que compreende o modo de agir e pensar da criança obterá uma melhor qualidade de trabalho.
FENOMENOLOGIA - Movimento que procura compreender os fenômenos tais como eles parecem ser, sem depender do real conhecimento e de sua natureza essencial. Tudo o que podemos saber do mundo se resumo a fenômenos, a esses objetos ideais que existem na mente. Os objetos da fenomenologia são dados absolutos (matemática pura) apreendidos em instituição pura, com o propósito de descobrir estruturas essenciais dos atos e a entidades objetivas que correspondem a elas.
EXISTENCIALISMO - Nascida no século XIX, através das idéias do filósofo dinamarquês Kienkergard, teve seu apogeu na década de 50, pós-guerra, com os trabalhos de Heidegger e Sartre. Enfatiza a responsabilidade do homem sobre seu destino e no seu livre arbítrio. A existência é prioridade sobre a essência humana, isto é, o homem existe, independente de qualquer definição pré-estabelecida sobre seu ser (seja postulado científico ou especulação metafísica). Predominância de elementos fenomenológicos. O existencialismo pressupõe que a vida seja uma jornada de aquisição gradual de conhecimento sobre a essência do ser, por esta razão ela seria a mais importante que a substancia humana.
CONSTRUTIVISMO - Construtivismo é uma das correntes teóricas empenhadas em explicar como a inteligência humana se desenvolve partindo do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações mútuas entre o indivíduo e o meio.
PÓS-MARXISMO - Surgimento de pensadores que preencheriam o vazio deixado pela crise do marxismo enquanto ideologia política, visão de mundo e  paradigma teórico na segunda metade do séc. XX.
PSICOLOGIA COGNITIVA - Cognição é a capacidade do ser humano de adquirir conhecimento. Assim, a Psicologia Cognitiva estuda a cognição, os processos mentais que estão por detrás do comportamento.
2ª parte – OS PENSADORES
SÓCRATES (469-399 a.C.) - Até então, a filosofia procurava explicar o mundo baseada na observação das forças da natureza. Com Sócrates, o ser humano voltou-se para si mesmo. Concebia o homem como um composto de dois princípios: alma (ou espírito) e corpo. Tinha o diálogo como método de investigação para se chegar a verdade, com a preocupação em levar as pessoas à sabedoria e à prática do bem por meio do auto conhecimento. Método este construtivo: o reconhecimento da própria ignorância, a percepção das próprias contradições, a revisão de conceitos e, por último, a reconstrução do pensamento por meio de novas ideias.
PLATÃO (427-347 a.C) - Deu o status de realidade ao mundo das idéias. Previa um sistema de ensino para formação de homens morais, sábios e virtuosos, vivendo em um estado justo. A educação era responsabilidade estatal, mesma instrução para ambos os sexos e acesso universal do ensino. Não é possível ou desejável transmitir conhecimentos, mas procurar respostas, ao longo de debates de ideias. Procura explicar que o processo de conhecimento se desenvolve através da passagem do mundo das sombras e aparências (o homem comum dominado pelos sentidos e pelas paixões) para o mundo das ideias. O método é a dialética (contraposição de uma opinião com a crítica que se pode fazer).
ARISTÓTELES (384-322 a.C.) - Fundador da Lógica, e desenvolveu o silogismo. Ao lado de Platão, Aristóteles é o pensador mais influente da filosofia ocidental de todos os tempos. A obra aristotélica só voltou a circular na Europa na Idade Média, por intermédio dos invasores árabes, que haviam preservado seus livros. Ele via na escola o caminho para a vida pública e o exercício da ética, e princípio do aprendizado seria a imitação, e para ele o mundo que percebemos é suficiente, e nele a perfeição está ao alcance de todos os homens.
SANTO AGOSTINHO (354-430) - O idealizador da revelação divina afirmava que o homem só tem acesso ao conhecimento quando iluminado por Deus. Foi o mais influente pensador ocidental dos primeiros séculos da Idade Média. A ele se deveu a criação de uma filosofia que, pela primeira vez, deu suporte racional ao cristianismo. A crença ganhou substância doutrinária para orientar a educação, já que a pensamento grego tinha caído em decadência. Defendia que educação e catequese se equivaliam, e estimulava obediência aos mestres, e objetivava o controle das paixões para merecer a salvação. Recomendava que jovialidade, alegria, paz e brincadeiras são fundamentais. A ideia principal é que o professor mostra o caminho e o aluno adota, assim o saber brota.
TOMÁS DE AQUINO (1225-1274) - Doutor da Igreja, inverteu prioridades no pensamento medieval, dando ênfase ao mundo real e ao aprendizado pelo raciocínio. Conciliava a fé cristã com o pensamento do grego Aristóteles (realismo). Para ele, o conhecimento humano se dividia em dois: o sobrenatural (ou sensível), ensinado pela fé (ou captado pelos sentidos), e o natural, à luz da razão. Foi o grande nome da filosofia escolástica. Na educação, introduz que o conhecimento é construído pelo estudante e não simplesmente transmitido pelo professor.
ERASMO DE ROTERDÃ (1469-1536) - Anunciou o fim da predominância religiosa na educação. Defendeu a importância da leitura dos clássicos (o conhecimento dos livros como alternativa saudável à educação religiosa que recebera) e do desenvolvimento do homem em todo o seu potencial (essência do humanismo), bem como a liberação da criatividade e da vontade do ser humano.
REBELAIS (1490- 1593) - Tinha uma maior preocupação com o corpo como centro da ação social e educativa. Colocava-se a favor da mistura das classes sociais e tinha crença no poder da educação como agente transformador do homem e da sociedade.
JESUÍTAS - Fundada por Inácio de  Loyolo-1491. Chegam no Brasil em 1549. Tinham um plano de estudo: Ratio Studiorium-30 conjunto de regras num manual que indicava: responsabilidade, desempenho, subordinação e todo o tipo de relacionamento dos membros da hierarquia. Conteúdo e metodologia a ser utilizada pelos professores. Os Jesuítas pregaram a obediência total à doutrina da Igreja Católica com o objetivo de catequisar.
MARTINHO LUTERO (1483-1546) - Autor do conceito de educação útil. Fundador do protestantismo e também um dos responsáveis de formular o sistema publico que serviu de modelo para a escola moderna no ocidente. Movido pela indignação e pela discordância com os costumes da igreja de seu tempo, foi responsável pela reforma protestante(cristianismo). A ideia da escola pública é para todos, organizava-se em três ciclos: fundamental, médio e superior.
MICHEL DE MONTAIGNE (1533-1592) - Fez de si mesmo seu grande objeto de estudo. Para ele, o questionamento “O que sei eu?”, é a base para nosso conhecimento. Inaugurou o gênero literário denominado “ensaio”, com o propósito de contestar certezas absolutas. O objetivo principal da educação seria permitir à criança a formulação de julgamentos próprios sem ter que aceitar acriticamente as leituras que a escola recomenda.
FRANCIS BACON (1561-1626) - Ele tinha idéias de transformar a filosofia em uma coisa fértil, iluminada e a favor do bem do homem. Bacon era um entusiasta das novas invenções. Enalteceu a experiência e o método dedutivo. Bacon reivindica, contra Aristóteles e a Escolástica, o método indutivo.
DESCARTES (1596-1650) - Discípulo dos Jesuítas, decepcionou-se com o ensinamento deles e decidiu buscar a ciência por conta própria, esforçando-se para decifrar ”o grande livro do mundo”. Sua missão era reunir todo o conhecimento humano em uma única ciência e universal. Cria um livro “Discurso do método”, para questionar o ensinamento dos jesuítas, tinha quatro regras básicas: verificar, evidenciar; analisar; sintetizar, enumerar. Defende que a dúvida é o primeiro passo para se chegar ao conhecimento, assim questionando a própria existência do próprio eu e de Deus. Tinha certeza “meus pensamentos existem”. Afirmação: Penso, logo existo, onde coloca que o pensamento é algo mais certo que a própria matéria-corporal.
COMÊNIO (1592-1670) - O pai da didática moderna. Combateu o sistema medieval, defendeu o ensino de "tudo para todos" e foi o primeiro teórico a respeitar a inteligência e os sentimentos da criança. A prática escolar deveria imitar os processos da natureza. O professor deveria ser um profissional, não um missionário, e bem remunerado. Nas relações entre professor e aluno, seriam consideradas as possibilidades e os interesses do aluno. A organização do tempo e currículo levaria em conta os limites do corpo. Não concordava no modelo de ensino que era aplicado, pois não poderia ser colocada a força sem respeitar o interesse e o crescimento de cada indivíduo e sem haver os questionamentos necessários.
JOHN LOCKE (1632-1704) - Um dos líderes do empirismo e um dos ideólogos do liberalismo e do iluminismo. A busca do conhecimento deveria ocorrer através de experiências, descartadas as explicações baseadas na fé. Para ele, a mente de uma pessoa ao nascer era uma espécie de folha em branco. Tentou determinar quais são os mecanismos e os limites da capacidade de apreensão do mundo pelo homem. As crianças não seriam dotadas de motivação natural para o aprendizado.
CONDORCET (1743-1794) - Matemático, iluminista, preconizava uma educação que contribuísse para a liberdade de pensamento e o alcance da perfeição. Por intermédio dele houve a criação do modelo da escola do Estado – Nação, com os diferentes graus. Defendeu um ensino igual para homens e mulheres e também o voto feminino.
EMMANUEL KANT (1724 –1854) - Apesar de ter adaptado a idéia de uma filosofia crítica, cujo objetivo primário era criticar as limitações das nossas capacidades intelectuais, Kant foi um dos grandes construtores de sistema, levando a cabo a idéia critica nos seus estudos da metafísica, ética e estética. A obra, “A critica da Razão Pura” é, considerada a mais influente, importante, e a mais lida de filosofo Kant. Ela,, é geralmente referida como a primeira critica dele a história da filosofia ocidental, uma vez que precede a “ Critica da Razão Prática e  Critica do Julgamento”  Neste livro Kant tenta responder três questões fundamentais da filosofia e da teoria do conhecimento: que podemos saber? Que devemos fazer? Que nós é licito esperar?  Essa obra dá continuidade à sua investigação critica acerca dos princípios da moral, então iniciada em 1784, com a publicação da “Fundamentação da Metafísica dos Costumes”.
ROUSSEAU (1712 – 1778) - O filósofo da liberdade como valor supremo. Na história das idéias, segue os lemas da Revolução Francesa como: princípio às suas obras, que defendem principalmente a liberdade e igualdade. O homem é bom por natureza, mas está submetido a influência corruptora da sociedade, onde os seres humanos estão expostos a desigualdade, que pode se originar das características individuais ou das influências sociais sofridas. Desenvolveu a teoria de que a criança deve ter as características próprias preservadas, sem receber influências da sociedade que quer moldar sua educação de acordo com seus interesses. O homem deve ter a liberdade de ter a essência preservada, mas precisa agir conforme as leis da sociedade em que vive, formando-se também como cidadão.
GEORG HEGEL (1770 – 1831) - Filósofo da totalidade, do saber absoluto, do fim da história, da dedução de toda a realidade a partir do concreto, da identidade que não conhece o espaço para o contingente, para a diferença. Todas essas são algumas das recepções da filosofia de Hegel na contemporaneidade.
JOHANN HEINRICH PESTALOZZI (1746 –1827) - O pensamento educacional de Pestalozzi tem origem na ideologia republicana discutida intensamente na segunda metade do século XVIII na Suíça. Tornou-se radical e criou um movimento reformista em que se integrou politicamente durante a década de 1760. Mantendo-se fiel a ideologia republicana anticomercial, decidiu-se tornar-se fazendeiro; sonhando com uma vida virtuosa, longe dos conhecidos vícios e corrupção de uma cidade mercantil como Zurique, indo morar em Berna. Exerceu grande influência no pensamento educacional e foi um grande adepto da educação pública; democratizou a e educação, proclamando ser direito absoluto da criança ter plenamente desenvolvidos os poderes dados por Deus; para ele a escola deveria aproximar-se de uma casa bem organizada, pois o lar era a melhor instituição de educação, base para a formação moral, política e religiosa.
JOHANN FRIEDRICH HERBART (1776-1884) - Filósofo e pedagogo alemão, num período em que os expoentes da cultura e da filosofia alemãs estavam próximas do apogeu. Estudou o campo da filosofia da mente, à qual subordinou suas obras pedagógicas. Herbart trouxe grandes contribuições para a pedagogia como ciência, emprestando rigor e uma certa cientificidade ao seu método. Foi o precursor de uma psicologia experimental aplicada à pedagogia. Foi o primeiro a elaborar uma pedagogia que pretendia ser uma ciência da educação. Em Herbart, o processo educativo se baseia, em seus objetivos e meios, na ética e na psicologia, respectivamente; segundo ele a ação pedagógica é orientada de três maneiras: o governo, a instrução e a disciplina; para ele, o conhecimento é dado pelo mestre ao aluno.
FRIEDRICH WILHEIM FROEBEL (1782 –1852) - Viveu num período em que a burguesia encontrava-se em ascensão num contexto marcado pelas guerras e revoluções como a Francesa, a Industrial, as Guerras Napoleônicas. Seus ideais educacionais foram considerados politicamente radicais. A essência da pedagogia são as idéias de atividade e liberdade; para ele a educação deve basear-se na evolução natural da criança; o objetivo do ensino é sempre extrair mais do homem do que colocar mais e mais dentro dele; a criança não deve ser iniciada em nenhum novo assunto enquanto não estiver madura para ele; o verdadeiro desenvolvimento advém de atividades espontâneas, na educação inicial da criança o brinquedo é o processo essencial; os currículos das escolas devem basear-se nas atividades e interesses de cada fase da vida da criança; criador do jardim da infância.
Herbert Spencer - Foi um filósofo inglês e um dos representantes do positivismo. Admirador de Charles Darwin e autor da expressão sobrevivência do mais apto, aplicou à sociologia ideias que retirou das ciências naturais, criando um sistema de pensamento muito influente a seu tempo. Suas conclusões o levaram a defender a primazia do indivíduo perante a sociedade e o Estado, e a natureza como fonte da verdade, incluindo a verdade moral. Defendeu o ensino da ciência para formar adultos competitivos.
CHARLES DARWIN (1809 – 1882) - Mais famoso adepto do Evolucionismo. Pôs em evidência o papel da seleção natural no mecanismo da evolução, através do qual as espécies tendem, lentamente, a ir sofrendo transformações, tornando-se cada vez mais adaptadas às mudanças impostas pelo meio.
KARL MARX - Tudo se encontra em constante processo de mudança decorrente dos conflitos resultantes das contradições de uma mesma realidade. As sociedades se estruturam de modo a promover os interesses da classe economicamente dominante. Abordando o sistema capitalista como fenômeno histórico, mutável e contraditório, previu que o mesmo seria superado pela emancipação (não alienação) dos trabalhadores, rumo a uma sociedade sem classes e na qual a propriedade privada seja extinta. A educação participa do processo de transformação das condições sociais, mas, ao mesmo tempo, é condicionada pelo processo.
EDMUND GUSTAV ALBRECHT HUSSEL (1859-1938) - Filósofo, matemático e lógico. Mais importante e expressivo representante da fenomenologia. Tudo o que podemos saber do mundo resume-se a esses fenômenos, a esses objetos ideais que existem na mente (cada um designado por uma palavra que representa sua essência, sua significação). Lutou contra o historicismo e o psicologismo. Idealizou um recomeço para a filosofia como uma investigação subjetiva e rigorosa que se inicia com os estudos dos fenômenos como aparentam a mente pata encontrar as verdades da razão. Suas investigações lógicas influenciaram até mesmo os filósofos e matemáticos da mais forte corrente oposta, o empirismo lógico. A fenomenologia representou uma reação à eliminação da metafísica, pretensão de grande parte dos filósofos e cientistas do século XIX.
JOSÉ ORTEGA Y. GASSET (1883 –1955) - O pensador espanhol apresenta suas idéias pedagógicas contrapondo-as às idéias educacionais então vigentes. Naquele momento as teorias da educação consagram o saber prático. Assim, verificamos que o principal problema educacional de sua geração é a conversão dos conceitos educacionais nos termos das ciências técnicas. O problema da educação, nesse caso, é um problema de eliminação. Eliminação significa a capacidade de o homem selecionar o que é essencial para sua vida, eliminando o que não é. As funções essenciais que o homem deve perseguir são de ordem psíquica e é essa ordem que o distingue de uma máquina. Para Ortega a ciência pedagógica não pode apenas abordar um tema, mas precisa instaurar uma postura crítica diante da situação sociopolítica e cultural alterando-a para melhor.
Adolphe Ferriere - O trabalho pedagógico de Ferriere está estreitamente ligado ao movimento da Escola Nova, na medida em que é difícil separar as ideias de cada um dos seus idealizadores. A sua ação é caracterizada pela transformação e renovação, por oposição à velha escola e métodos tradicionais. Ferriere propõe o conceito da nova escola cujo funcionamento é baseado no respeito aos interesses e necessidades da criança, a utilização de métodos ativos, do desenvolvimento de autonomia, espírito crítico e da cooperação. A finalidade da educação é contribuir para o desenvolvimento infantil e ao desenvolvimento das suas potencialidades, numa educação para a liberdade.
WALLON (1879 – 1962) - O homem é um ser biologicamente social (havendo uma relação entre cognitivo X afetivo X motor). A construção do eu na teoria de Wallon depende essencialmente do outro.
CLAPARÈDE (1873 – 1940) - Defendia a necessidade de estudar o funcionamento da mente infantil e de estimular na criança um interesse ativo pelo conhecimento. Pregava pela Escola Ativa.
VYGOTSKY (1896 –1934) - Deu origem ao socioconstrutivismo ou sociointeracionismo.  Relação homem-ambiente: um ser se forma em contato com a sociedade. Segundo Vygotsky, o primeiro contato da criança com novas atividades, habilidades ou informações deve ter a participação de um adulto.
ANTON MAKARENKO - Viveu as grandes transformações históricas do fim do século XIX e do começo do séc. XX, tendo influência direta das idéias marxistas em sua visão de mundo e de educação. Concebeu um modelo de escola baseado na vida em grupo (coletividade), na autogestão, no trabalho e na disciplina, procurando educar pessoas conscientes de seu papel político, cultas, sadias e que se tornassem trabalhadores solidários. Também buscou envolver a família no ambiente escolar auxiliando na educação de seus filhos.
ANTONIO GRAMSCI - Testemunhou de perto os dois extremos totalitários do séc. XX: a degeneração política soviética pela tirania de Josef Stalin e a ditadura fascista em seu país que o perseguira e o aprisionara. A tomada de consciência e a conquista da cidadania como objetivos da escola. Orientando a elevação cultural das massas, a intenção era livrá-las da visão de mundo que predispõe a aceitação da ideologia das classes dominantes. Descreve a hegemonia como relação de domínio de uma classe sobre a sociedade, sendo que ela é obtida por meio de luta no campo da ética e, posteriormente, no campo da política. Defendeu uma escola única, de cultura geral, humanista, formativa: a escola do trabalho voltada  para a cidadania.
DECROLY (1871-1932) - Nasceu na Bélgica. Por essa época criou uma disciplina, a "pedotecnia", dirigida ao estudo das atividades pedagógicas coordenadas ao conhecimento da evolução física e mental das crianças.  dedicou-se apaixonadamente a experimentar uma escola centrada no aluno, e não no professor, e que preparasse as crianças para viver em sociedade, em vez de simplesmente fornecer a elas conhecimentos destinados a sua formação profissional. foi um dos precursores dos métodos ativos, fundamentados na possibilidade de o aluno conduzir o próprio aprendizado e, assim, aprender a aprender. Alguns de seus pensamentos estão bem vivos nas salas de aula e coincidem com propostas pedagógicas difundidas atualmente. É o caso da idéia de globalização de conhecimentos – que inclui o chamado método global de alfabetização – e dos centros de interesse.
FREINET (1896-1966) - Foi um critico da escola tradicional e das escolas novas. a educação deveria proporcionar ao aluno a realização de um trabalho real. Foi criador das escolas modernas. A aprendizagem através da experiência seria mais eficaz. a interação professor-aluno é essencial para a aprendizagem. Estar em contato com a realidade em que vive o aluno é fundamental. Desenvolveu atividades como: aula passeio, jornal da classe, cantinhos pedagógicos, troca de correspondências entre escolas, livro da vida.
NEILL(1883-1973) - Acreditava que a felicidade é fundamental para o desenvolvimento das crianças e esta tem origem num senso de liberdade das mesmas. Para ele, as escolas tradicionais privam de liberdade seus alunos e as consequências da infelicidade vivida pelas crianças reprimidas estão na origem da maioria dos problemas psicológicos da vida adulta. Sustentava que os jovens devem ser estimulados a aprender em um ambiente de liberdade e de responsabilidade. Ficou famoso por defender a liberdade das crianças na educação escolar. Fundador da escola Summerhill.
MARIA MONTESSORI(1870-1952) - Ela propunha despertar a atividade infantil através do estímulo e promover a auto educação da criança colocando meios adequados de trabalho a sua disposição. Sustentava que só a criança é educadora de sua personalidade. Fundou a Casa dei Bambini (Casa das crianças), evidenciando a prevalência do aluno. Procura desenvolver o potencial criativo desde a primeira infância, associando-o à vontade de aprender – conceito que ela considerava inerente a todos os seres humanos. Sua prática se inspira na natureza o crescimento mental acompanha o crescimento biológico. Sendo que, para despertar o aprendizado, a criança deve ter acesso e estímulos a desvendar essas curiosidades, assim trabalhando com didáticas de ensino em que a criança pega , vê, toca e não tem um lugar certo para ficar ou sentar estimula o seu aprendizado. Deve haver a troca de informações. Saber o porquê das coisas.
HANNAH ARENDT (1906-1975) - Cientista política que atribuía aos adultos a responsabilidade de conduzir as crianças por caminhos que elas desconhecem. Sua obra inspira também na educação, onde vê na escola a função de ensinar às crianças como o mundo é, e não instruí-las na arte de viver. Sua argumentação é a favor da autoridade na sala de aula e sua visão educativa é conservadora.
JOHN DEWEY (1859 –1952) - Filósofo norte-americano, presenciou momentos políticos e econômicos como o fim da Guerra Civil Americana, o desenvolvimento tecnológico, a Revolução Russa e a crise de 1929 que acabaram por influenciar sua filosofia educacional. Acabou por ser um dos principais contribuidores da Escola Nova. Defendia a democracia e a liberdade de pensamento como instrumentos para a maturação emocional e intelectual do homem. O processo educativo que se dá na escola é de continua reorganização, reconstrução e transformação da vida segundo Dewey, o hábito de aprender diretamente da própria vida, e fazer que as condições da vida sejam tais que todos aprendam no processo de viver, é o produto mais rico que pode a escolar alcançar. Dentro da visão de que o interesse fundamental é pela vida; aprender significa adquirir um novo modo de agir, um novo comportamento de nosso organismo; ou seja, o que é aprendido tem uma força propulsora. A educação está centrada no desenvolvimento da capacidade de raciocínio e espírito criativo do aluno; o aluno como sujeito do processo ensino-aprendizagem; o objetivo da escola deveria ser ensinar a criança a viver no mundo; educar, portanto, é mais do que reproduzir conhecimento. É incentivar um desejo de desenvolvimento continuo; preparar pessoas para transformar algo.
BERTRAND RUSSEL (1872-1970) - Político liberal, ativista e um popularizador da filosofia. Inúmeras pessoas respeitaram Russell como uma espécie de profeta da vida racional e da criatividade. A sua postura em vários temas foi controversa. Lutou por ideais humanitários e pela liberdade do pensamento.
CARL ROGERS (1902 –1987) - Segundo Rogers, assim como num tratamento psicológico, onde o paciente é apenas orientado em direção ao sucesso do tratamento, nas salas de aula o professor é também um orientador que mostra a direção que o aluno deve tomar para alcançar o conhecimento. Nas palavras do psicólogo, a tarefa do educador é facilitar o aprendizado, que o aluno conduz a seu modo. O próprio gosto, quando livre de influências, faz a pessoa optar pelas melhores escolhas, sendo que o professor deve expor os dois lados de cada situação sem transparecer hierarquia, mas sim agir de modo a criar a confiança e admiração, pois o aluno só aprende mesmo aquilo que for capaz de despertar o seu interesse. Um psicólogo a serviço do aluno.
PIAGET (1896 – 1980) - Suas descobertas demonstraram que a transmissão de conhecimentos é uma possibilidade limitada. Por um lado, não se pode fazer uma criança aprender o que ela ainda não tem condições de absorver, mesmo tendo essas condições, não vai se interessar a não ser por conteúdos que lhe façam falta em termos cognitivos.
ANISIO TEIXEIRA (1900 –1971) - Educador baiano. No século vinte, na Primeira República, quando a questão da identidade nacional torna-se tema de discussão obrigatória para vários autores, inclusive para Anísio Teixeira, a questão da centralização e descentralização reaparece no centro dos debates. Começa a se processar uma diferenciação social, com o surgimento de uma reduzida classe média nos centros urbanos, que passou a pressionar por mais e melhor educação. Anisio Teixeira parte de uma premissa fundamental: a sociedade brasileira foi fincada enquanto estrutura organizativa e ideológica de país, na lógica da dualidade entre elite e povo, entre os governantes e os comuns. Desestruturar essa dualidade e refazer a concepção de país passa, fundamentalmente, segundo o autor, pela educação pública, mais especificamente através da escola de base comum a todos os brasileiros. Anisio Teixeira, sendo influenciando pelas idéias de Dewey, é defensor de uma escola democrática, capaz de implantar na sociedade capitalista mecanismos aperfeiçoadores do sistema democrático e seus males; uma escola aberta a todas as classes, capaz de reconstruir a sociedade.
FLORESTAN FERNANDES - Sociólogo, lutou pela democratização do ensino, manutenção e ampliação da escola pública. A escola de qualidade seria um instrumento fundamental para a emancipação dos trabalhadores. Criticou a concepção do professor como mero transmissor do saber, o aluno como apenas receptor do conhecimento e o ensino discriminatório, que trata o aluno pobre como cidadão de segunda classe. A educação transformadora se faz com uma escola capaz de transformar, desenvolver a criatividade e se desfazer, por si mesma, do autoritarismo, da hierarquização e das práticas de servidão (mecanismos de dominação de classe). Para ele, as elites querem controlar a educação para manter a maioria da população culturalmente alienada e afastada das decisões políticas. Participou ativamente da discussão, elaboração e tramitação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que só seria aprovada em 1996, um ano depois de sua morte.
PAULO FREIRE - Assim como Darcy Ribeiro, despertou intelectualmente no período iniciado pela revolução de 30 e terminado com o golpe militar de 1964. Ideologia baseada na realidade, na vivência concreta do educando. O aluno é capaz e possui algum tipo de conhecimento, só deve saber o modo de como aplicá-lo. O saber é o resultado da interação entre as pessoas e a educação é uma prática de libertação da opressão.
DARCI RIBEIRO (1922 –1997) - Antropólogo brasileiro, que se preocupava com a formação da população, estudou a evolução da sociedade. Acreditava que o progresso só é possível com o investimento na educação; cansado do discurso acadêmico de sua época, que ignorava a situação brasileira e privilegiava o ponto de vista europeu, o antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997) propôs uma abordagem transformadora do país, que saísse da academia e repercutisse na realidade. Para isso, quis entender a formação do povo brasileiro e a evolução da sociedade nacional. Dedicou-se por dez anos ao SPI (Serviço de Proteção ao Índio, atual Funai), onde estudou os indígenas do Pantanal, do Brasil Central e da Amazônia. Mais tarde, como educador, fundou a Universidade de Brasília em 1962
EMILIA FERREIRO (1936) - Construtivista, esta psicóloga argentina realizou estudos sobre leitura e a escrita. Do ato de ensinar, o processo desloca-se para o ato de aprender por meio da construção de um conhecimento que é realizado pelo educando, que passa a ser visto como um agente e não como um ser passivo que recebe e absorve o que lhe é "ensinado".
MICHEL FOUCAULT - Filósofo que inspirou o espírito contestador dos jovens intelectuais em crise com marxismo e existencialismo nos anos 60. Concentra seus estudos não sobre os governos e as nações, mas sobre os sistemas prisionais, a sexualidade, a loucura, a medicina. Não há universalidade nem unidade e também não existe uma evolução histórica linear, mas vínculos a sistemas circunscritos historicamente. A dominação e o poder não são originários de uma única fonte – como o Estado ou as classes dominantes –, mas são exercidos em escala múltipla. Não há relação de poder que não seja acompanhada da criação de saber e vice-versa. Não cabe o papel de objeto para o homem, mas de sujeito, capaz de apreender e modificar o mundo, dependendo de suas interações com espaço e tempo. Define a sociedade atual como disciplinar em que a disciplina é um instrumento de dominação e controle destinado a suprimir ou domesticar os comportamentos divergentes. Sendo assim, define a educação como um instrumento de vigilância, adestramento do corpo e da mente e disciplina do comportamento.
PIERRE BOURDIEU - Se posicionou contra a tendência política neoliberal. Combativo, tornou-se ideólogo e símbolo dos protestos contra a globalização econômica e cultural no final do séc. XX. Acusava, inclusive, os meios de comunicação de renderem-se à lógica do comércio, bem como produzirem lixo cultural em larga escala. Diante dessa ordem que considerava excludente, detectou mecanismos de conservação, reprodução e legitimação das desigualdades sociais. A escola perdeu seu papel de instância “transformadora e democratizadora da sociedade” e passou a ser vista como uma instituição por meio da qual se mantêm e se legitimam os privilégios sociais das classes dominantes. Criou a noção de habitus que se refere à incorporação de uma determinada estrutura social pelos indivíduos, influindo em seu modo de sentir, pensar e agir, de tal forma que se inclinam a confirmá-la e reproduzi-la, mesmo que nem sempre de modo consciente. Outro conceito é o de campo, para designar nichos da atividade humana nos quais se desenrolam lutas pela detenção do poder simbólico, que produz e confirma significados. Os indivíduos se posicionam nos campos de acordo com o capital acumulado – que pode ser social (relações interpessoais), cultural (educação), econômico e simbólico. Introduziu, para se referir ao controle de um estrato social sobre outro, o conceito de violência simbólica, legitimadora da dominação e posta em prática por meio de estilos de vida, sem necessidade do uso da força.
EDGAR MORIN - É considerado um dos maiores intelectuais da atualidade. Colocou-se sempre contra qualquer forma de ditadura. Diante do cenário do final do século XX, percebeu que a maior urgência no campo das idéias não é rever doutrinas e métodos, mas elaborar uma nova concepção do próprio conhecimento. Propõe o conceito de pensamento complexo em lugar da simplificação e da fragmentação do conhecimento, tendo como princípio a dialógica, isto é, provocar discussão, debate, diálogo. Em sua defesa da religação dos saberes, criou Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro: o estudo do próprio conhecimento; a pertinência dos conteúdos; o estudo da condição humana com identidade terrena; a abordagem das relações humanas; o enfrentamento das incertezas com base nos aportes recentes das ciências; o aprendizado da compreensão; e uma ética global, baseada na consciência do ser humano como indivíduo e parte da sociedade e da espécie. Vê a sala de aula como um fenômeno complexo, que abriga uma diversidade de culturas, classes sociais e econômicas e, neste ambiente, incumbe os professores do Ensino Fundamental a começar a derrubar as barreiras e reformar a mentalidade, por duas razões: eles têm a experiência generalista e lidam com as crianças mais novas, que guardam uma curiosidade e um modo de pensar ainda não influenciados pela separação dos conteúdos em disciplinas.
GARDNER (1943) - Organizou e teorizou as sete inteligências: Inteligências Lingüísticas, Inteligências Lógico-Matemática, Inteligências Espacia, Inteligência Musical, Inteligência Corporal-Cinestésica, Inteligência Interpessoal e Inteligência Intrapessoal. A escola ideal baseia-se na idéia de que ninguém é igual e nem tem os mesmos interesses, e que ninguém pode “saber tudo”.



Diante do trabalho de sintetização, além dos debates em grupo, os integrantes desse trabalho chegaram a um consenso de que a educação é o instrumento político no desenvolvimento humano e social, cultivando e condicionando a interação do indivíduo com a realidade (seja ideal ou material, não importando a definição), com o próximo e com o futuro.
Reitera-se o que fora citado na introdução deste trabalho que, o que há de característico na evolução do pensamento pedagógico ocidental ao longo dos tempos, não é o sectarismo e individualização de cada corrente, mas a interação e justaposição de ideias, suas variações e correlações, por mais antagônicas e contraditórias que pareçam, que ampliam o arsenal ideológico e criativo dos pensadores em qualquer época que se encontram.

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